28
de
junho
Nadar tranquilamente
por sob as águas claras
(claras como seus olhos).
Cantar, despreocupado,
sabendo que o oceano
abraça minha voz
e a torna indiscernível.
Amar, amar, amar,
e quando for a hora
- ou um pouco antes, quem sabe? -
ser eu a engravidar.
No entanto, eu não sou
um cavalo marinho,
e a triste e alegre hora
escapa de meus dedos
(e de todos os dedos)
além do meu alcance,
como a pluma da pedra;
além do meu alcance
como o mistério último;
além do meu alcance
como o sangue da terra,
como um fim sem princípio.
como um ventre vazio,
28
de
junho
A lágrima que me dói
só o Araribóia viu,
mas nem mesmo o grande herói
notou o que me atingiu,
é a saudade que corrói,
é o meu peito assim tão frio,
é você em Niterói
- e eu sozinho aqui no Rio…
25
de
abril
Threw myself out of a tower,
in my hands a gloomy flower.
Everyone has looked around…
But I never hit the ground.
17
de
abril
My heart isn’t lazy.
In a zap, it just got crazy
for that girl named Daisy.
17
de
abril
14 de fevereiro, Valentine’s day,
lua cheia.
Poesia no ar, na água, na terra.
Fogo no coração,
embora ainda não o saibamos.
Bebemos ardorosamente
toda a poesia,
com amor e fé
("Fé em quê?"
ouço alguém gritando)
depois passamos
para a cerveja
(não, antes,
ainda há bastante poesia
para tragarmos aqui
pelo ar e pela terra,
é uma livraria.)
Não adianta, queremos mais,
sempre mais,
vamos até a sua casa?
Ainda há poesia na terra,
a lua desce. É dia.
Agora os corações não se aguentam.
Um papo quente.
Mãos entrelaçadas.
Mil verdades.
Uma consequência
- é quando descobrimos nossos fogos,
ardentes,
cândidos, uma novela
de Manoel Carlos.
11
de
fevereiro
Comigo ela divide seu guarda-chuva
- e ele se multiplica.
Com ela sempre posso conversar
em silêncio.
Ela está viva, muito viva
e nunca se esquece disso.
11
de
fevereiro
Cada ação
dura um momento.
Cada momento dura
uma eternidade.
E cada eternidade
não dura mais de um século.
4
de
fevereiro
Meus maiores vícios:
Caetano
e Vinicius.
4
de
fevereiro
Todo ano, todo mês, to-
da semana, toda noite, o
Rio entra em perpétuas férias.
Sem pudores, sem vergonha,
sem desdém, sem cerimônia, o
Rio entra em perpétuas férias.
Chega de falar em coisas sérias.
Basta de paulistanas pilhérias.
Todo o Rio sente em suas artérias
que apesar das suas misérias,
estivera,
esteve,
estava,
está
e estará sempre de férias.
28
de
janeiro
Amor pleno é beijar segunda-feira
(a de carnaval não vale).