Poesia líquida - ano II

28

de
junho

cavalo marinho.

Nadar tranquilamente
  por sob as águas claras
    (claras como seus olhos).

Cantar, despreocupado,
  sabendo que o oceano
     abraça minha voz
   e a torna indiscernível.

     Amar, amar, amar,
         e quando for a hora
- ou um pouco antes, quem sabe? -
         ser eu a engravidar.

No entanto, eu não sou
um cavalo marinho,
e a triste e alegre hora
                 escapa de meus dedos
                                      (e de todos os dedos)

além do meu alcance,
          como a pluma da pedra;
além do meu alcance
          como o mistério último;
além do meu alcance
          como o sangue da terra,
                    como um fim sem princípio.   
                              como um ventre vazio,

28

de
junho

A lágrima que me dói
só o Araribóia viu,
mas nem mesmo o grande herói
notou o que me atingiu,

é a saudade que corrói,
é o meu peito assim tão frio,
é você em Niterói
- e eu sozinho aqui no Rio…

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