Nadar tranquilamente por sob as águas claras (claras como seus olhos).
Cantar, despreocupado, sabendo que o oceano abraça minha voz e a torna indiscernível.
Amar, amar, amar, e quando for a hora - ou um pouco antes, quem sabe? - ser eu a engravidar.
No entanto, eu não sou um cavalo marinho, e a triste e alegre hora escapa de meus dedos (e de todos os dedos)
além do meu alcance, como a pluma da pedra; além do meu alcance como o mistério último; além do meu alcance como o sangue da terra, como um fim sem princípio. como um ventre vazio,
14 de fevereiro, Valentine's day, lua cheia. Poesia no ar, na água, na terra. Fogo no coração, embora ainda não o saibamos. Bebemos ardorosamente toda a poesia, com amor e fé ("Fé em quê?" ouço alguém gritando) depois passamos para a cerveja (não, antes, ainda há bastante poesia para tragarmos aqui pelo ar e pela terra, é uma livraria.) Não adianta, queremos mais, sempre mais, vamos até a sua casa? Ainda há poesia na terra, a lua desce. É dia. Agora os corações não se aguentam. Um papo quente. Mãos entrelaçadas. Mil verdades. Uma consequência - é quando descobrimos nossos fogos, ardentes, cândidos, uma novela de Manoel Carlos.